quinta-feira, 21 de julho de 2011




Um dia se passou,  e aquela multidão mais uma vez passou por perto da felicidade. Cabisbaixos, feridos ou lunáticos não perceberam sua presença na avenida, linda e sublime, porque estavam muito atentos aos buracos da calçada, e os motoristas muito persistentes com suas marchas... Ninguém percebeu, mas ela estava em cada detalhe da rua, em cada detalhe do céu, e a cada sorriso daqueles que olhavam em frente. Porque a verdade, é que a felicidade nunca vai bater na sua porta, sem saber o endereço da sua vida.

domingo, 17 de julho de 2011

Sol, manhã, preguiça. Escova de dentes, ardor, torneira, pasta, escova, espelho. Assombro. Quarto, passatempos, olhares, e trocas de palavras. Mais um sorriso forçado, mil abraços falsos, papéis rasgados. Tempo, olhares, troca, pensamentos, planos. Tempo. Noite, lua, olhares e planos. Carros, poluição, buzinas, mais uma lágrima de criança, mais um sonho despedaçado. Vida.


Bem-vindo ao mundo psicótico, surreal e infalível que eu mesma criei. Estou em todos os lugares, à todos os instantes. Com as minhas palavras a partir de agora, quero dizer que tudo vai ser extremamente mais fácil e irônico que nunca. Você só precisa fechar os olhos para fortalecer seu , por um minuto. Ou eternamente. Gostaria de lhe dizer que eu sou mais fácil do que o seu trabalho diário, sou mais leve que uma pena, sou mais empolgante que uma viagem e mais carente que uma viúva. Sou a parada do que já se foi e as lágrimas de desespero dos seus parentes. Sou infalível, prazer, sou a Morte. 

Mais umas doses de leitura e duas xícaras de chá sobre a fumaça do fim da tarde. Mais uma lágrima de desespero, de tristeza, de perdas de sonhos e de exageros. Vivendo sem rumo sob o sol dos dias e com saudades da nostalgia que lhe trazia o luar. Assim que aquele homem vivia, de coração partido sempre à esperar. Ele vivia sem aumento, pedindo passatempos que poderiam permitir a dor passar. Mas infelizmente, mas um dia veio a surgir, mais uma olhada na tevê ele fez ele mesmo passar. E assim, esperando a dor terminar, ele seguiu os dias, sempre a esperar. 

Aquela garota olhou-se para o espelho mais um vez. Com uma dor nos olhos e no coração, se é que entre os pedaços do que restou, ela ainda conseguia sentir alguma coisa. Olhou-se como quem diz para não se enganar, como quem fala com o que não existe. Como se ela fosse somente uma miragem. Doía como se nunca. Algo dentro dela era mais do que tristeza, era simplesmente um poço, de águas escuras exatamente abaixo de sua mente, a qual ainda conseguia respirar por pura sorte. Plantas lutavam para se submergir no poço, mas percebiam que o solo era de concreto, nada fértil. Ela tinha planos na cabeça mas estava no fundo do poço, lutando para concretizá-los. Completamente sozinha, ela gritava.