domingo, 10 de julho de 2011

Olhei para as estruturas abaladas daquele prédio hoje. Encontrei um pedaço meu nele. E em todos os outros prédios pelos quais eu passava e apreciava da janela do carro. Do mesmo jeito me vi. Com uma base boa, que me sustenta sem deixar de forma alguma, em absolutamente nenhum momento, que eu caia de lado ou desapegue-me do concreto que firme aos tijolos suporta minhas crises quando vem a forte chuva, com as cores ao manchar. Rachaduras em algumas paredes representavam a fragilidade com orgulho. Perdido no meio de alguns andares, meu prédio tinha ainda assim um compartimento amplo para salvar os arquivos de todas as pessoas que entraram e saíram dele. Subiram ou desceram de nível, pegando os elevadores. De alguma forma, aquele prédio tinha pastas para tudo. Tinha uma cor diferente de todas, era simplesmente o mais bonito. E por dentro, era excepcionalmente lindo e encantador. Tinha recepcionistas que mudavam de acordo com o dia, tanto a aparência, como a personalidade. E tinha secretários que por vez limpavam a faixada, e enxugavam a água salgada das chuvas.

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